Nostalgia de um Futuro Impossível


Assisto lentamente enquanto anoitece
Se tornando cinza um céu que era anil
E enquanto penso sobre as coisas que acontecem
Sou tomado pelo frio.

Acorde, acorde
Você pode me ouvir?

Veja, eu nunca te pedi pra partir
Mas mesmo assim preciso acompanhar você ficar cada vez mais pequena
Serena
Diferente
Condizente somente com um início de inverno
Que desejo com minhas forças que não seja eterno
Porque precisamos ver você brilhar de novo.

De segunda a sexta você está vivendo
Ou apenas sobrevivendo
Nos mesmos horários
Sem honorários
Que um dia poderão acertar a conta de um coração que sofre
Sem cortes
Só pela falta de um sentimento forte.

Deus, acorde, acorde
Será que já não passou da hora de Você voltar?

A nostalgia agora vem devagar
Ela toma formas e, distante, me olha sem piscar
E quando chega a ponto de me encostar
Sou eu
Um espelho meu
Porque eu sempre soube que não sentia saudade de uma pessoa
Mas da sensação que ecoa
E que nunca mais senti.


E dessa forma vamos seguindo
Conseguindo
Andando por um caminho oras sinuoso
Oras invisível
E sabendo que não há plano infalível,
Podemos abraçar nossa aparente falta de controle
E não pensar no futuro
Incerto
Escuro
Que segundo pós segundo venta em nosso rosto



Como o inverno no litoral
Nós somos
A diferença é que o frio vêm antes para alguns
Para outros logo depois
E para os afortunados nunca virá
O que me deixa na profunda dúvida
Se um dia o verão chegará
Para mim
Porque pedirei para atrasá-lo
Pois só assim
Só no frio
É que conseguimos ver que não é preciso muitas roupas.

Calor
Humano.
Que no entanto,
Por simples desencanto,
Nos falta.
Acorde, acorde. Volte.