O Nascimento de Vênus




Estou deitado, ansioso.
Estou deitado na cama que comprei pensando em nós.
Não que eu nunca fiquei nervoso, mas com você tudo é diferente. Já é latente a vontade de vê-la.
Saiba que não sou daqueles que mentem, mas preciso te omitir isso, simplesmente.
Preciso te omitir que há uma guerra na minha cabeça. Metade quer que o tempo passe mais rápido pra te ver, e a outra metade quer que quando estivermos juntos o tempo não passe pela gente.
Tal como agora.
Sei que ela daqui a pouco sairá do banheiro, com seu hálito de pasta de dente. 
E no momento em que deite comigo na cama, eu já terei perdido a sanidade.
Boas pessoas merecem boas pessoas, aprendi isso. Em seus olhos âmbar-escuro eu vejo essa bondade,
E não há nada que do contrário me convença.
Eis que olho pro lado e a vejo parada á porta, me olhando.
Ela tem no rosto o sorriso bonito-bondoso-malícia-apaixonante que só uma mulher tem.
Eu sou Botticelli agora, criando uma pintura com esplendor.
Com cores vivas e realismo eu digo a ela: 

Entre, feche a porta e perca comigo, inteiramente, o seu pudor.


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