Buenos Aires




eu vou largar o cigarro ,
e todas as outras substâncias ilícitas.
eu já estou cansado dos vícios, cansado de perder a lucidez, cansado de trocar de canal,
De frente para uma TV de um hotel barato em Buenos Aires
Ora com um trago na mão, a camisa rasgada e um espelho no teto
Refletindo o bolor do lugar

E que esse texto não tenha rimas.

eu olho pra trás e a luz do lado de fora ilumina um par de pernas.
são pernas lisas, tratadas com o cuidado de quem lucra com o próprio corpo.
o que, por um instante, me faz perguntar a mim mesmo o que motiva as pessoas
interesses? dinheiro?
ou se somos somente como ratos em gaiolas que nos dão choque cada vez que sorrimos.
ela levanta, pega uns poucos tostões da minha camisa, tira meu relógio velho do braço e vai embora.
Ao bater da porta eu já a esqueci. Amanhã será outra, com outros tostões e um outro relógio velho. Mas como é bom sorrir.

O que quero é que esse texto não tenha rimas.
Rimas são coisas raras.
vida não rima com morte,
sábados não rimam com domingos,
nem sucesso com sorte,
nem sorrisos com choques elétricos,
nem esquecimento com leveza, ou alegria com tristeza.

quando toda essa guerra acabar,
não sei se não vamos sentir falta de tanta luta,
porque é isso que nos faz sentir vivos.
e só desejo que eu tenha objetivos quando eu finalmente conseguir alcançar o meu objetivo.

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