Como rocha, como noz

Dizemos muitas coisas sobre os outros.
Julgamos o tempo todo;
Mas o que falamos de nós mesmos?

Desvende o que sinto, já que você sabe tanto sobre mim.

Vivemos num mundo individualista, eu sei. Preocupados apenas com nosso próprio umbigo, nós nos perdemos sob as areias do tempo e afastamos de nossa própria história.
Sou tolo por ainda insistir em remar contra a maré? Em determinados momentos a gente nunca se reconhece. Insistimos em não querer; Desistimos quando temos.

Vivemos em desarmonia com aqueles que mais nos afetam. O tempo passa, e o problema não está na alma sedenta, ou nas armaduras que nossas características introspectivas criam, o problema está na nossa falta de compreensão, na nossa preguiça de entender os outros como alguém diferente de nós. Se você não se esforça para entender outrem, terás dificuldade de compreender a si mesmo.
Pense melhor, não é apenas meu coração que é de pedra, mas também as pessoas ao meu redor. Duras, como uma casca de noz.

Ao longo de tantas passagens acabei ouvindo, e presenciando, mesmo que sem querer, que algumas relações nos afastam de outras pessoas importantes em nossa vida, e com isso algumas relações nos afastam de nós mesmos.
Ninguém está interessado em quebrar suas próprias defesas, sair deste mundinho confortável e mágico. Aqui somos grandes, aqui temos o domínio de tudo (e de todos).

Repare que nós só ouvimos aquilo que damos conta de escutar, e o tempo nem sempre é um bom aliado; Talvez, quem sabe, seja um belo inimigo. A noz que fica por muito tempo dentro da casca acaba apodrecendo.


Amor, amizade, e até os inimigos; Nada disto se pede, se conquista. O que você faz com seu tempo?