Sublimatio: Excesso



Uma dadiva perigosa...









Algumas coisas turvam nossa visão. O que (ou quem) é mesmo que tentamos enganar?

Particularmente já me deparei com muitas situações cujas não seria sensato descrever, mas me põe a pensar melhor no que às vezes nós somos (ou tentamos ser).

O que seria uma vida autentica num mundo tão cheio de paradigmas e limitações?
Tudo hoje em dia são as manifestações do sagrado. Jamais houve uma época da história da humanidade cujo formos tão religiosos. Esperamos, esperançosamente, por uma salvação cada vez mais tardia, e o único conforto que temos é que um dia Ele virá. Batemos de porta em porta, anunciamos uns para os outros, nos reunimos todas as semanas, passamos de geração a geração, e assim se passa o tempo...
Ora bolas, parece que existe algo de inconfortável aqui; apoiar-se numa salvação que há milênios não chega parece ser agir de má fé. Afinal, é muito melhor achar que o mundo inteiro que está um caos, que as pessoas estão perdidas, que tudo precisa ser renovado do que mudar a si próprio. Mas este papinho não funciona mais, a mínima mudança já é o bastante para passar mel na boca de muita gente.
A questão, ao menos para mim, é quando encaramos este ideal da pior forma possível; escondendo-se atrás da luz, sublimando a própria persona, atrofiando o raciocínio, se desculpando em nome de alguém.

Algumas coisas alienam a gente, e eu já vi isto de muito perto. Vi pessoas passando uma vida inteira acreditando e se mascarando por conta de uma opinião que não é deles.
Mas o que isto importa se estas pessoas são felizes?
São felizes?...
Algumas coisas trazem conforto, como um travesseiro macio que suporta a dor no pescoço. Mas não será o travesseiro que curará o torcicolo

A cura; outra palavra que me entristece. O que na verdade ela é? Já parou para pensar no tanto de coisas que procuramos soluções? Tendemos a complicar a vida mais do que damos conta de solucionar, e isto machuca quando achamos que não podemos mais voltar no caminho que decidimos tomar.

Tenho medo de descobrir que tudo foi uma fantasia. Somos arrogantes e orgulhosos o bastante para não precisar de grandes motivos para formar uma guerra inteira; ao mesmo tempo em que somos persistentes o bastante para lutar por uma paz, sem querer fazer grandes revoluções.