A Mesma História


Saio de casa a noite e não tenho hora pra voltar.
Não ouso nem olhar para trás.
E sei que minha casa eu não verei novamente.
Saio de casa e meu único companheiro é o violão,
Que nunca se cansa de ouvir as mesmas músicas.
Saio de casa e nem sei que horas são.
E em minha mente resta a dúvida se já é a hora certa, ou, se já é tarde de mais.
O vento frio bate em meu rosto, mas a sensação é tão estranha...
O vento gelado que outrora me machucava, hoje me acalenta,
Pois não há nada mais congelado que eu mesmo.
O que pode nos tornar frios, senão o calor que esperamos das outras pessoas?

Metade do meu coração tem o teu nome,
Porque mesmo que você não merecesse estar ali, e, confesso, até mesmo queria poder te tirar de dentro de mim, você insiste em estar, em povoar os meus sonhos.
Mas te levo junto comigo, e cada gota de orvalho que cai no chão ao meu redor, me faz lembrar dos teus olhos tristes me mostrando um futuro bom.
E o céu é testemunha desse caminho errôneo,
Desse amor platônico,
Do violão incansável,
E de um rapaz que anda só, exceto pelos momentos em que Jesus está ao lado dele.

Eu vou andar. Cada passo que dou é mais um passo longe de tudo.