Três

... Foi quando percebi que eles tinham razão.
Foi...
Estava cercado por eles.
Em minha esquerda ele me olhava com o pescoço esticado para cima. Seus olhinhos enormes fixavam em mim com admiração.
Não pude deixar de não sorrir.
Mostrei a palma de minha mão para que ele pudesse pegar. Sua mãozinha quente logo envolvia meus dedos. Estavam molhadas.
Dei um passo em sua direção; ele ainda me olhava, mas querendo sorrir.

Como eu queria brincar mais uma vez. Correr pela terra seca e saltar mais uma vez naquele Rio.
As águas ainda são as mesmas?

Já era hora de voltar. Um passo de volta para o centro. Que distância cruel.
Lembrei dos outros. Virei os olhos para a direita e dei um novo passo, desta vez para a direita.
Ele ainda estava lá: Sério e imóvel.
Era estranho, seu olhar tentava achar os meus mas, eu desviava.
Ele que sorriu desta vez. Estiquei o braço para pegar sua mão, tinha que ser feito. Ele não exitou, esticou a mão pesada que logo encontrou a minha.
Um aperto forte e duradouro.

Uma sensação de segurança arrepiou a nuca, acompanhada de um luto incondicional. Agora eu também sorria, mas sem saber o por que.
O que foi que perdi?

Já era o momento de me afastar novamente. Bastava um passo para não consegui-lo ver em boa forma. Ainda falta um. Sabia que ele estava na minha frente, podia sentir mas para vê-lo tinha que levantar a cabeça. Ele estava lá, mas não me esperava. Afastava em passos para trás.
Não tinha cor e nem cheiro. Não tinha expressão, apenas movimento.
Como era difícil manter a atenção nele. O tempo ia acabar...
Estiquei a mão para tentar pega-lo, mas não dava!
Como era difícil.
Eu não podia fazer isto, eu não podia. Eu...

Porquê sozinho?

Foi a Coragem que me fez pegar novamente na mão deles. Uma mistura de sensações pulsava nas veias. Estava feita a linha de braços que me levou até o último para finalmente poder tocar naquela forma espiritual que se afastava.
Foi quando percebi que eles tinham razão: Uma corrente, dois amigos, e três Eu.