Acordes : Prólogo ( Dó )

Olá galera, tudo certo?
Aqui vai o início do romance " Acordes " ( não no sentido de acordar, e sim no sentido literal de acordes musicais). A simbologia do título é de responsabilidade de cada imaginação!

_____________________



" Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. "
Não. Na verdade tinha teto sim. Eu e uns amigos construímos uma casinha para tocarmos as nossas músicas sem incomodar nenhum vizinho. Hoje em dia é assim, o maldito da casa ao lado pode por aquela saveiro rebaixada tocar uns funks no último volume e nós não podemos tocar nosso raulzito, nosso renato russo.
A vedação acústica da nossa toca fizemos com caixas de ovo, e, tirando do bolso de cada um pra ajudar na conta de luz todo mês, nós vamos trilhando nosso caminho.

Os meninos até que não tocavam mal. O único problema é que a maioria dos jovens hoje em dia não gostam mais daquele rock nacional, que criticava a sociedade sedentária, o capitalismo, até a ditadura militar. Hoje em dia, quanto menos complexidade musical houver, melhor. Era isso que entravava algum sucesso da banda.

É, mas aqui dentro não tem nenhuma vírgula para nós. O que mais gostamos é, com certeza, tocar para algumas meninas - que ainda valem a pena - ficarem ouvindo aqueles clássicos dos Engenheiros, Legião e Capital. Começamos a tocar pra valer há pouco tempo, antes era só um passatempo qualquer. Eu, Eduardo, era o vocalista da banda e o chiclete, que juntava todos. André, o careca, ficava na bateria. Leonardo no contrabaixo e Carlos na guitarra, éramos os quatro inseparáveis.